quinta-feira, 28 de abril de 2011

“Preocupação pela Ovelha Perdida”

Élder Joseph B. Wirthlin 

 LIAHONA MAIO DE 2008



Sinto-me grato pela oportunidade de estar com vocês hoje neste magnífico Centro de Conferências. Por maior que seja esta congregação, é apenas uma fração dos milhões que verão, ouvirão e lerão as palavras proferidas nesta grande conferência.
Evidentemente, sentiremos muito a falta de nosso amado Presidente Gordon B. Hinckley. Somos todos pessoas melhores, graças a sua influência. A Igreja está mais forte graças a sua orientação. De fato, o mundo é um lugar melhor por termos tido um líder como o Presidente Gordon B. Hinckley.
Gostaria de dizer algumas palavras sobre nossa nova Primeira Presidência.
Conheço o Presidente Monson há muito tempo. Ele é um homem vigoroso de Israel que foi preordenado para presidir esta Igreja. Ele é muito conhecido por suas histórias e parábolas cativantes, mas nós que o conhecemos melhor sabemos que sua vida é um exemplo prático da aplicação dessas histórias. Embora seja um grande mérito seu o fato de que muitos dos grandes e poderosos deste mundo o conheçam e honrem, talvez seja um tributo ainda maior o fato de que muitos dos humildes o chamem de “amigo”.
O Presidente Monson é inteiramente bom e compassivo. Suas palavras e ações são exemplos da preocupação com cada pessoa.
O Presidente Eyring é um homem sábio, culto e espiritual. Ele é conhecido e respeitado não apenas na Igreja, mas pelos que não são da nossa religião. Ele é um tipo de homem que, quando fala, todos escutam. Ele engrandeceu o nome “Eyring”.
Conheci o Presidente Uchtdorf quando eu era Presidente de Área, na Europa. Desde o momento em que o conheci, percebi nele um homem de imensa espiritualidade e enorme capacidade. Soube que a mão do Senhor estava sobre ele. Há vinte e três anos, tive a honra de chamá-lo para servir como presidente de estaca em Frankfurt, na Alemanha. Ao observá-lo, ao longo dos anos, notei que tudo que foi colocado sob sua direção teve sucesso. O Senhor está com ele. Quando penso no Presidente Uchtdorf, duas palavras me vêm à mente: Alles wohl — que, em alemão, significa “tudo vai bem”.
Os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo sempre se preocuparam com cada pessoa. Jesus Cristo é nosso maior exemplo. Ele estava cercado por multidões e falou a milhares, mas sempre Se preocupou com as pessoas individualmente. “Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido”,  disse Ele. “Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?” 
Esse ensinamento se aplica a todos os que O seguem. Recebemos o mandamento de buscar os que se perderam. Temos de ser guardiões de nosso irmão. Não podemos negligenciar esse encargo que recebemos do Salvador. Precisamos nos preocupar com a ovelha perdida.
Hoje, gostaria de falar sobre aqueles que se perderam — alguns por serem diferentes, alguns por estarem cansados e alguns por se desviarem do caminho.
Alguns estão perdidos por serem diferentes. Eles sentem que não fazem parte do grupo. Talvez por serem diferentes, eles sempre se afastam do redil. Eles podem ser diferentes dos que estão a seu redor na aparência ou no modo de agir, pensar e falar, e às vezes isso os faz sentir que não fazem parte do grupo. Concluem que não são necessários.
Vinculada a essa falsa percepção está a crença errônea de que todos os membros da Igreja devem parecer, falar e agir de modo semelhante. O Senhor não povoou a Terra com uma vibrante orquestra de personalidades para apenas valorizar os flautins do mundo. Todo instrumento é precioso e contribui para a complexa beleza da sinfonia. Todos os filhos do Pai Celestial são diferentes entre si em algum aspecto, mas cada um tem seu belo som que acrescenta significado e beleza ao todo.
Em si, essa variedade da criação já é um testemunho de como o Senhor valoriza todos os filhos. Ele não dá mais valor a um homem do que a outro, mas “convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; (…) todos são iguais perante Deus”. 
Lembro-me de que, quando eu era jovem, havia um menino mais velho que era física e mentalmente deficiente. Ele tinha um problema de fala e caminhava com dificuldade. Os meninos costumavam zombar dele. Eles o provocavam e atormentavam, às vezes, até fazê-lo chorar.
Ainda ouço sua voz: “vocês não estão sendo bons comigo”, dizia ele. Ainda assim, eles o ridicularizavam e o empurravam e faziam piadas a seu respeito.
Certo dia, não consegui mais suportar aquilo. Embora só tivesse sete anos de idade, o Senhor deu-me a coragem para enfrentar meus amigos.
“Não toquem nele”, disse para eles. “Parem de zombar dele. Sejam bondosos. Ele é filho de Deus!”
Meus amigos recuaram e foram embora.
Na época, perguntei-me se minha ousadia colocaria em risco minha amizade com eles, mas aconteceu o inverso: daquele dia em diante, meus amigos e eu nos tornamos mais próximos. Eles mostraram mais compaixão pelo menino e tornaram-se seres humanos melhores. Pelo que sei, nunca mais o provocaram.
Irmãos e irmãs, se simplesmente tivéssemos mais compaixão pelos que são diferentes de nós, isso amenizaria muitos dos problemas e aflições do mundo atual. Isso sem dúvida faria de nosso lar e da Igreja lugares mais sagrados e celestes.
Alguns estão perdidos por estarem cansados. É muito fácil sentir-nos sobrecarregados. Com todas as pressões, exigências e tensões que enfrentamos a cada dia, não admira que fiquemos cansados. Muitos ficam desanimados por não terem conseguido atingir o seu pleno potencial. Outros simplesmente se sentem fracos demais para contribuir. E assim, quando o rebanho segue em frente, de modo gradual e quase imperceptível, alguns ficam para trás.
Todos já se sentiram cansados e oprimidos em uma ocasião ou outra. Parece que me sinto mais assim agora do que quando era mais jovem. Joseph Smith, Brigham Young e até Jesus Cristo sabiam o que é ficar cansado. Não quero subestimar o peso que os membros da Igreja carregam sobre os ombros nem minimizar as provações emocionais ou espirituais que enfrentam. Elas podem ser pesadas e, muitas vezes, são difíceis de suportar.
Tenho, porém, um testemunho do poder revigorante do evangelho de Jesus Cristo. O profeta Isaías proclamou que o Senhor “dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor”. 4Quando me sinto cansado, lembro-me das palavras do Profeta Joseph Smith:
“Não prosseguiremos em tão grande causa? Ide avante e não para trás. Coragem, irmãos; e avante, avante para a vitória! Regozije-se vosso coração e muito se alegre. Prorrompa a terra em canto. (…) Que as matas e todas as árvores do campo louvem ao Senhor (…) e que todos os filhos de Deus gritem de alegria!” 5
Para vocês, membros da Igreja, que ficam para trás por sentirem-se deslocados, rogo que dêem um passo adiante e ponham-se a trabalhar. Mesmo que sintam que a sua ajuda pouco contribua para a obra, a Igreja precisa de vocês. O Senhor precisa de vocês. Lembrem-se de que o Senhor com freqüência escolhe as “coisas fracas do mundo” para realizar Seus propósitos.
Para todos os que estão cansados, que as palavras consoladoras do Senhor lhes sejam um alento: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Confiemos nessa promessa. O poder de Deus pode infundir energia e vigor em nosso corpo e espírito. Peço que busquem essa bênção do Senhor.
Acheguem-se a Ele e Ele Se achegará a vocês, pois prometeu que “os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão”.
Quando nos preocupamos com os que estão cansados, socorremos os fracos, erguemos as mãos que pendem e fortalecemos os joelhos enfraquecidos. Os líderes dedicados da Igreja atentam para as limitações de cada pessoa, mas estão ávidos por empregar o pleno potencial do vigor e da capacidade dos membros. Líderes, ensinem e apóiem, mas não pressionem os membros a correr mais rápido ou trabalhar mais do que suas forças permitam. 
Lembrem-se: às vezes aqueles que começam mais devagar são os que vão mais longe.
Alguns estão perdidos por se desviarem do caminho. Com exceção do Senhor, todos cometemos erros. A questão não é saber se cairemos ou tropeçaremos, mas, sim, como reagiremos. Alguns se afastam do redil depois de cometerem erros. Isso é muito triste. Sabiam que a Igreja é um lugar em que pessoas imperfeitas se reúnem — mesmo com todas as suas fraquezas mortais — e se tornam melhores? Todos os domingos, em todas as capelas do mundo, encontramos homens, mulheres e crianças mortais e imperfeitos, que se reúnem em fraternidade e caridade, esforçando-se para tornarem-se melhores, para aprender por meio do Espírito e incentivar e apoiar uns aos outros. Nunca vi nenhuma placa na porta de nossas capelas com os dizeres: “Entrada Permitida Somente para Pessoas Perfeitas”.
É por causa de nossas imperfeições que precisamos da Igreja do Senhor. É nela que as doutrinas de redenção de Cristo são ensinadas e Suas ordenanças de salvação são ministradas. A Igreja nos incentiva e motiva a ser pessoas melhores e mais felizes. Também é um lugar em que podemos entregar-nos ao serviço ao próximo.
O Senhor sabe que cometeremos erros. É por isso que Ele sofreu por nossos pecados. Ele quer que voltemos a nos erguer e nos esforcemos para melhorar. Há alegria entre os anjos de Deus pelo pecador que se arrepende.
A vocês que se afastaram por terem sido ofendidos, peço que deixem sua mágoa e raiva de lado. Peço que encham o coração de amor. Há um lugar para vocês aqui. Venham, juntem-se ao redil, consagrem suas habilidades, talentos e aptidões. Vocês se aperfeiçoarão com isso, e outros serão abençoados por seu exemplo.
Para os que se afastaram por causa de questões de doutrina, não podemos desculpar-nos por pregar a verdade. Não podemos negar a doutrina que nos foi dada pelo próprio Senhor. Em relação a esse princípio, não fazemos concessões.
Entendo que às vezes as pessoas discordam da doutrina. Podem até chegar a ponto de chamá-la de loucura, mas repito as palavras do Apóstolo Paulo, que disse que às vezes as coisas espirituais podem parecer loucura para os homens. Apesar disso, “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens”. 
Na verdade, as coisas do Espírito são reveladas pelo Espírito. “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” 
Testificamos que o evangelho de Jesus Cristo está na Terra hoje. Ele ensinou a doutrina de Seu Pai: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo”. 
Sei que cada um de vocês se preocupa com um ente querido. Ofereça-lhe incentivo, serviço e apoio. Ame-o. Seja bondoso com ele. Em alguns casos, ele voltará. Em outros, não. Mas em todos os casos, sejamos dignos do nome que tomamos sobre nós, sim, o nome de Jesus Cristo.
A todos os habitantes deste mundo, ergo a voz em solene testemunho de que Deus vive e Jesus é o Cristo, nosso Salvador e Rei! Ele restaurou Sua verdade e Seu evangelho por intermédio do Profeta Joseph Smith. Ele fala a Seus profetas e apóstolos. O Presidente Thomas S. Monson é o ungido do Senhor e guia a Sua Igreja atualmente. Presto testemunho disso em nome de Jesus Cristo. Amém.